23/01/2017

Héracles e seus crimes

Vale considerar o aspecto punitivo das Façanhas de Héracles, mesmo sabendo que a origem de sua trajetória tenha sido definida por Hera, que tudo o que queria era acabar com ele.
‘De fato’, possuído pela loucura, ele matou seus filhos e, para se redimir, submeteu-se a 12 trabalhos impossíveis de serem realizados. Mas saiu vitorioso em todos. 

Observe:
  • sempre atuando juntas, 3 três divindades puniam crimes contra a família, a sociedade e a moral:  Aleto [a que não deixa esquecer], Tisífone [a que uiva e berra, não deixando dormir] e Megera [a que divide]
  • chamadas de Erínias [o mesmo que perseguir com furor], conhecidas como as Fúrias, eram aladas, usavam chicotes, tochas de fogo, tinham o corpo coberto de serpentes, e o que tinham de fazer era executar a vingança divina
  • percorriam a Terra atormentando os mortais culpados de ações que haviam perturbado a ordem, provocando remorso e angústia sem fim
  • agiam também no mundo subterrâneo, torturando almas por terem cometido crimes de impiedade [falta de respeito aos deuses] e perjúrio [falso testemunho]
  • junto delas atuava também Nêmesis, que tinha como objetivo recompor o equilíbrio universal quando ocorria um descomedimento [ou hybris]: enquanto as Erínias perseguiam o culpado, Nêmesis fazia com que ele, embora sofrendo, voltasse para onde jamais deveria ter saído

Penso que os ‘trabalhos de Hércules’ são uma busca de compreensão do ser humano. Os caminhos que ele percorre – decorrentes da punição por crime contra a família, a convivência social e a moral – o levam para o lugar de onde veio: o mundo humano.

Aprender a ser humano é o grande desafio.

Hércules entende que é humano, compreende o que isto significa e o interpreta, isto é, decide o que fazer da vida. Busca o conhecimento de si, do outro, do mundo e assume responsabilidades perante aos outros. Suas façanhas o conduzem no sentido de aprender a viver com e para a humanidade, de deixar a condição de animal para se fazer humano.

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